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Em nosso País, com quase duzentos
milhões de habitantes e um pouco mais de 130 milhões de
eleitores, parte destes, 10% (DEZ por cento),....
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Partidos políticos e democratização da sociedade
Autor
do Artigo:

Entre
votos e gols
.
Por João Guilherme Sabino Ometto, de São Paulo
Espera-se que partidos e candidatos comprometam-se com a
continuidade do processo de desenvolvimento, lembrando que
a Nação está muito acima de bandeiras ideológicas e
interesses pessoais e de grupos.
Transcorrem quase despercebidos em meio ao otimismo quanto
às perspectivas da economia nacional em 2010, os 25 anos
da eleição (15 de janeiro) e posse (15 de março) daquele
que foi o primeiro governo civil no país após o golpe de
estado de 1964. Ao lado das “Diretas Já”, em 1984, e da
promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, os
dois fatos históricos, ocorridos em 1985, são os marcos da
reconquista da liberdade política e dos direitos
individuais e coletivos pelos brasileiros.
E nossa democracia disse a que veio! As instituições
fortaleceram-se: problemas agudos, como o afastamento de
um presidente da República e casos graves de corrupção,
que antes estremeciam muito a República, solucionaram-se
por vias legais. Substituímos a exceção pelo direito!
Na economia, os frutos também são substantivos, em
especial se somarmos os avanços verificados nos quatro
últimos mandatos presidenciais. Vencemos a inflação,
mérito das duas gestões consecutivas de Fernando Henrique
Cardoso. No primeiro e no segundo governo de Luiz Inácio
Lula da Silva, promovemos grande processo de inclusão
social (30 milhões de pessoas acabam de ascender à classe
média), multiplicamos exportações, conquistamos o
investment grade e estabelecemos, com reservas cambiais
superiores a 200 bilhões de dólares, resistente blindagem
às intempéries financeiras globais.
Os resultados positivos da redemocratização
evidenciaram-se com imensa clareza no contexto do crash de
2008 e 2009: o Brasil foi um dos primeiros países a vencer
a crise; em 2010, nossa economia deverá incluir-se entre
as que mais crescerão; o mercado interno está aquecido;
tivemos em janeiro o recorde histórico, para esse mês, de
criação de empregos; a inflação segue sob controle e os
índices de confiança do empresariado e dos consumidores
estão crescendo.
Sem dúvida, o país vive um bom momento. Portanto, é
fundamental aproveitá-lo para solucionar antigos
problemas, cuja persistência ainda se interpõe como
obstáculo ao crescimento sustentado do PIB. Refiro-me aos
gargalos da infraestrutura, aos impostos exagerados, à
burocracia, à criminalidade, aos gastos públicos elevados,
à precariedade do ensino e da saúde e aos vícios da
corrupção.
Não podemos ignorar tais desafios, pois, se os
conseguirmos superar, teremos dado imenso passo em nossa
saga rumo ao primeiro mundo. Também devemos repudiar
proposituras de leis e medidas que atentem contra a
liberdade de imprensa, a segurança jurídica, as
prerrogativas de produzir e o direito inalienável à
propriedade urbana e rural. Trata-se de conquistas
pétreas, garantidas na Constituição de 1988! Subvertê-las
seria imenso retrocesso.
Com certeza, todos esses temas relevantes pontuarão o
debate político a ser travado nas campanhas relativas às
eleições de outubro. Espera-se que, procurando reparar o
que está errado, partidos e candidatos comprometam-se com
a continuidade do processo de desenvolvimento, lembrando
que a Nação está muito acima de bandeiras ideológicas e
interesses pessoais e de grupos.
Essa, aliás, foi a grande lição na transição do Governo
FHC para o de Lula. Mantiveram-se as conquistas e se
acrescentaram outras! Práticas civilizadas como essa
contribuem para que, mesmo neste 2010 de Copa do Mundo, o
Brasil já não seja mais identificado como mero “País do
Futebol”. Somos a nação que venceu a inflação, emprestou
dinheiro ao FMI, reduziu os índices de pobreza, enviou
força de paz ao Haiti, superou a crise mundial...
Cá entre nós, temos, como nunca, a prerrogativa sem culpa
de parar tudo e resgatar a “Pátria de Chuteiras” a cada
jogo de nossa seleção nos gramados da África do Sul.
Porém, para continuar desfrutando desse direito,
precisamos exercitar com a máxima responsabilidade o dever
eleitoral em outubro. Entre a seriedade dos votos e a
alegria dos gols, haveremos de converter nossa democracia
em desenvolvimento, sem perder a identidade
pluralista deste povo mestiço e feliz!
João
Guilherme Sabino Ometto
19/03/2010
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